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Surto de Herpes Vírus Equino no Reino Unido

O herpes virus equino (EHV – equine herpes vírus) tem duas estirpes principais que causam doença, entre as 9 formas existentes. O EHV1 causa doença respiratória e aborto nas éguas gestantes. Mais raramente pode também causar doença neurológica, caracterizada por ataxia e paralisia profunda. O EHV4 causa principalmente doença respiratória e ocasionalmente aborto.

Os sinais clínicos de doença respiratória por EHV incluem aumento de temperatura, tosse, secreção nasal e falta de apetite.

Fonte: EQUISPORT

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Os sinais clínicos da forma neurológica do EHV incluem fraqueza muscular, falta de força, incapacidade em levantar a cauda e inclinação da cabeça para um dos lados.

Trata-se de uma doença altamente contagiosa pelo que devemos estar alerta e tomar todas as medidas necessárias para evitar o contágio. Qualquer cavalo que apresente algum dos sintomas acima descritos deverá ser isolado dos outros animais e ser examinado por um médico veterinário. De modo a evitar a propagação da doença, todos os cavalos que tiveram contacto com um animal suspeito de ser portador de EHV devem permanecer em casa até que seja confirmado o diagnóstico.

No Reino Unido, existem códigos de conduta com recomendações práticas sobre várias doenças específicas. No caso de EHV recomenda-se que os animais não viagem até 28 dias depois da data de confirmação do diagnóstico do último animal afectado.

Um cavalo pode ser portador do herpes vírus equino sem apresentar sinais clínicos de doença e é provável que a maior parte dos cavalos idosos já tenham sido expostos ao vírus em alguma fase da sua vida. Nestes casos, os animais terão provavelmente alguns anticorpos em circulação.

O primeiro passo diagnóstico consiste na colheita de sangue para pesquisa de anticorpos contra o EHV. A não ser que os títulos sejam extremamente elevados e conclusivos, pode ser útil repetir a análise passados 15 dias para avaliar a variação em relação à primeira análise. Em caso de exposição recente ao EHV, os títulos aumentam consideravelmente ao longo dos 15 dias. A colheita de zaragatoas nasais, principalmente nos casos em que existe corrimento nasal, também deve ser realizada para pesquisa de material viral através de técnicas de laboratório especializadas.

A doença não tem tratamento específico uma vez que os medicamentos antivirais são pouco eficazes nos equinos. O tratamento é essencialmente um tratamento de suporte sendo muito importante aderir às regras de quarentena de modo a evitar a propagação da doença conforme mencionado acima.

Na sequência do surto de herpes vírus equino (EHV1) que ocorreu no Reino Unido no inicio do ano já foram eutanasiados 4 cavalos devido a doença neurológica grave. Vários eventos foram cancelados e centros equestres encerrados na tentativa de controlar o surto. Não basta impedir o movimento dos cavalos. É importante que todas as pessoas que lidam com cavalos infectados ou potencialmente infectados (à espera de confirmação laboratorial) adiram a normas rigorosas de higiene se viajarem de um centro equestre para outro.

Existe uma vacina contra o herpes vírus equino (EHV 1-4) que evita ou atenua consideravelmente os sinais clínicos da doença, tal como no caso da vacina da gripe. As normas para autorização da comercialização e utilização desta vacina em Portugal foram revistas recentemente pela DGAV (Direção Geral de Alimentação e Veterinária) pelo que agora os médicos veterinários têm o acesso mais facilitado a esta vacina. O protocolo de vacinação consiste na administração de duas vacinas com 4 a 6 semanas de intervalo seguido de revacinação semestral. Não se recomenda a vacinação no caso de um surto de EHV pois pode haver agravamento dos sinais clínicos. Os cavalos devem ser vacinados quando saudáveis de modo a estarem protegidos se mais tarde forem expostos ao EHV. A vacinação contra o EHV deve fazer parte do protocolo de vacinação de qualquer cavalo.

Herpes Vírus Equino
Herpes Vírus Equino